Entre novas aplicações, tecnologia e eficiência produtiva, as embalagens metálicas conectam diferentes especialidades e abrem caminhos para o desenvolvimento de negócios
As embalagens metálicas ganharam uma escala bem diferente no Brasil ao longo dos últimos anos. Em 2009, o mercado de latas de alumínio para bebidas estava na casa de 20 bilhões de unidades. Em 2025, foram 34,1 bilhões comercializadas, um avanço superior a 70% em 16 anos e o segundo maior volume da série histórica. Nesse intervalo, a cadeia também se diversificou e passou a incorporar novas soluções.
Não é à toa que o Brasil ocupa hoje a terceira posição mundial na produção de latas de alumínio, atrás apenas de Estados Unidos e China. Cerca de um quarto de todo o alumínio comercializado no país é consumido pelo segmento de bebidas, um indicador da dimensão que essa aplicação alcançou dentro da economia nacional.
Só que a oportunidade vai além das linhas que produzem latas para refrigerantes, cervejas e outras bebidas. Aerossóis, alimentos, tintas, cosméticos e bens de consumo ampliam o campo de atuação das embalagens de aço e alumínio e trazem necessidades próprias de materiais, equipamentos, revestimentos, impressão, fechamento, automação e controle.
E uma forma de identificar onde podem surgir os próximos negócios é acompanhar as transformações e entender o que elas passam a exigir de quem quer crescer junto com esse movimento.
Neste artigo
- Embalagens metálicas movimentam uma cadeia de fornecedores especializados
- Novas aplicações levam a lata para diferentes indústrias
- Tecnologia muda o que uma embalagem pode entregar
- Design e premiumização criam outras formas de gerar valor
- Onde estão as oportunidades para fornecedores?
- OneCan aproxima quem produz de quem transforma o setor
- Perguntas frequentes sobre o mercado de embalagens metálicas
1. Embalagens metálicas movimentam uma cadeia de fornecedores especializados
Chegar a dezenas de bilhões de unidades por ano exige uma estrutura que começa bem antes de a embalagem entrar na linha de envase. O metal passa por transformação, revestimento, impressão e moldagem, em processos que também dependem de sistemas de fechamento, máquinas, inspeção e automação para manter qualidade e eficiência em grande escala.
É aí que o tamanho desse mercado passa a interessar diretamente a quem fornece para a indústria. Uma produção desse porte demanda equipamentos, componentes, materiais, tecnologias, acabamentos, serviços especializados e soluções logísticas capazes de acompanhar o ritmo das fábricas e suas exigências técnicas.
No Brasil, os 34,1 bilhões de latas para bebidas comercializadas em 2025 dão uma medida concreta dessa atividade. A posição do país entre os principais produtores mundiais reforça a presença de uma estrutura industrial consolidada, na qual diversas empresas participam antes que cada unidade chegue ao consumidor.
Esse ritmo também se traduz em novas exigências de produção, que passam por redução de perdas, rastreabilidade, automação, melhor aproveitamento de recursos e economia circular, pontos que vêm orientando decisões dentro das fábricas. Responder a essas necessidades coloca os fornecedores em uma posição estratégica, justamente porque parte da evolução das embalagens metálicas passa pelas tecnologias, materiais e serviços que eles levam para a produção.
2. Novas aplicações levam a lata para diferentes indústrias
As bebidas mostram bem o tamanho das embalagens metálicas no Brasil, mas representam apenas uma parte das aplicações atendidas por essa indústria. Conservas, pescados, produtos químicos, tintas, itens de higiene, cosméticos e aerossóis levam aço e alumínio para linhas de produção com características próprias e, consequentemente, demandam materiais diferenciados, componentes, equipamentos e conhecimentos técnicos.
Entre essas aplicações, os aerossóis dão uma boa medida desse potencial, já que o Brasil é o 4º maior produtor global do setor, com 1,4 bilhão de unidades fabricadas em 2023, segundo a Associação Brasileira de Aerossóis (ABAS). No mesmo ano, o segmento gerou R$ 30 bilhões em receita, tendo os cuidados pessoais na liderança da produção nacional, com 63%, seguidos por outras aplicações, inseticidas e produtos para a casa.
A variedade entre esses segmentos interessa diretamente aos fornecedores porque cada aplicação traz requisitos específicos para a embalagem e para seu processo produtivo. Latas de tintas precisam atender a condições diferentes daquelas destinadas aos alimentos; aerossóis incorporam válvulas, propelentes e sistemas próprios de envase; já conservas e pescados exigem vedação, revestimentos adequados ao contato com o conteúdo e resistência aos processos de conservação.
Essas particularidades geram oportunidades para novos negócios, seja para uma empresa que atende às necessidades de uma linha de aerossóis, desenvolve componentes para alimentos ou oferece equipamentos e materiais destinados a outras categorias. Com aplicações cada vez mais variadas, ganham relevância as empresas capazes de atender às características de cada produção.
3. Tecnologia muda o que uma embalagem pode entregar
Uma conserva armazenada à temperatura ambiente é um bom exemplo de quanta tecnologia pode existir em algo aparentemente simples como uma lata. A combinação entre material, revestimento interno, vedação e processamento térmico permite encontrar nas prateleiras produtos como vegetais, pescados, carnes, molhos e refeições prontas com vida útil prolongada, sem depender da cadeia de congelamento.
Parte dessa evolução também acompanha escolhas cada vez mais ligadas à praticidade no dia a dia. Tampas abre-fácil presentes em latas de atum, milho, ervilha e outros alimentos mostram como uma característica técnica pode facilitar o uso sem comprometer a vedação necessária durante o processamento e o armazenamento. A possibilidade de manter determinados alimentos por longos períodos em temperatura ambiente também favorece compras para consumo posterior e ocasiões de uso. Por dentro, revestimentos funcionam como uma barreira entre o alimento e o metal e podem ser desenvolvidos para lidar com características específicas do conteúdo, inclusive produtos mais ácidos ou salgados, como frutas, vegetais e pescados.
Esse desenvolvimento continua avançando, inclusive na composição dos materiais usados no interior das embalagens. Já existem revestimentos internos formulados sem adição intencional de substâncias como BPA e PFAS para latas de bebidas e alimentos, e novas formulações buscam combinar resistência à corrosão, preservação de sabor e desempenho nas linhas de produção. Há soluções preparadas para suportar processos como pasteurização, envase a quente e esterilização em retorta, o que mostra como uma mudança pouco visível na embalagem pode responder a exigências bastante específicas.
Na fabricação, a tecnologia participa de etapas importantes do controle de qualidade, com câmeras e sistemas automatizados capazes de inspecionar tampas, fechamentos e possíveis defeitos nas embalagens, além de equipamentos e controles de processo voltados a manter a consistência em linhas que operam em alta velocidade. Em uma produção de milhões de unidades, avanços em precisão, manutenção, controle e aproveitamento de recursos podem representar ganhos relevantes para a operação e abrir portas para mais fornecedores especializados.
São essas demandas que criam possibilidades para empresas de tecnologia, equipamentos, revestimentos e componentes, muitas vezes a partir de melhorias pontuais que fazem diferença no resultado final. Uma tampa mais funcional, uma barreira adequada a determinado alimento, uma inspeção mais precisa ou um processo capaz de reduzir perdas são exemplos de respostas que podem nascer dentro da própria produção e acompanhar tanto as necessidades das fábricas quanto as novas formas de consumo.
4. Design e premiumização criam outras formas de gerar valor
Há ainda situações em que o metal assume um papel bastante visível na apresentação do produto. Cosméticos, itens de beleza, kits especiais, edições comemorativas e embalagens colecionáveis exploram formatos, acabamentos e impressões capazes de fazer parte da identidade que a marca deseja construir.
Nesse tipo de aplicação, características como textura, brilho, formato, abertura e qualidade gráfica passam a influenciar a experiência oferecida ao consumidor. Uma mesma base metálica pode assumir propostas bastante diferentes conforme o trabalho realizado sobre sua superfície e sua estrutura.
Isso amplia as possibilidades para empresas especializadas em impressão, decoração, acabamentos, design, componentes e sistemas de fechamento. Também cria espaço para desenvolvimento conjunto entre marcas, fabricantes de embalagens e fornecedores, principalmente quando o objetivo é chegar a uma solução que se diferencie na prateleira sem perder eficiência produtiva.
Soma-se a isso a busca por premiumização, em que a embalagem deixa de apenas responder a exigências técnicas para comunicar posicionamento e aumentar a percepção de valor, aproximando a criatividade da capacidade industrial no desenvolvimento de soluções.
5. Onde estão as oportunidades para fornecedores?
Há espaço para quem fornece materiais e componentes, mas também para negócios especializados em tecnologia, eficiência, acabamento, controle e soluções ambientais, veja a seguir:
| Área de atuação | Demandas que podem abrir oportunidades |
| Materiais e revestimentos | Proteção do conteúdo, desempenho técnico e adequação a diferentes aplicações |
| Máquinas e automação | Produtividade, precisão, integração de processos e eficiência das linhas |
| Impressão e acabamento | Personalização, diferenciação visual e desenvolvimento de embalagens premium |
| Tampas, válvulas e fechamentos | Segurança, vedação, conveniência e adaptação a variedade de produtos |
| Inspeção e controle | Qualidade, rastreabilidade, padronização e redução de perdas |
| Eficiência e circularidade | Melhor aproveitamento de recursos, reciclagem, logística reversa e redução de impactos |
Esse cenário mostra como melhorias bastante específicas podem encontrar aplicação comercial. Uma solução capaz de melhorar o fechamento, reduzir perdas, aumentar a precisão da linha ou entregar um acabamento diferente já atua sobre uma necessidade concreta da cadeia.
Também é por isso que olhar apenas para o número de latas produzidas conta uma parte da história. Os bilhões de unidades dão escala ao mercado, já a variedade de aplicações e as transformações nos processos mostram quantas especialidades participam dele.
6. OneCan aproxima quem produz de quem transforma o setor
Uma cadeia que reúne tantas aplicações, especialidades e possibilidades de inovação precisa de lugares onde essas pontas possam se encontrar. É com essa proposta que chega a OneCan Metal Can Summit & Expo, primeiro evento da América Latina dedicado exclusivamente à indústria de embalagens metálicas.
De 6 a 8 de abril de 2027, no Distrito Anhembi, em São Paulo, a primeira edição vai colocar lado a lado fabricantes, fornecedores, marcas e especialistas que participam de diversas etapas desse universo. Matérias-primas, componentes, máquinas, tecnologias, design, logística e reciclagem estarão entre os temas presentes, criando um ambiente para apresentar projetos, conhecer novas demandas e conversar diretamente com profissionais que buscam respostas para os desafios do negócio.
Estar nessa primeira edição também significa acompanhar de perto as discussões de um segmento que segue ganhando novas aplicações e exigências. Entre uma solução apresentada e uma conversa iniciada, podem surgir contatos, parcerias e projetos capazes de continuar muito além dos três dias de evento.
OneCan Metal Can Summit & Expo 2027
Onde as novas soluções da indústria se encontram
A OneCan reúne fabricantes de embalagens metálicas, fornecedores, marcas e especialistas em um evento criado para aproximar quem desenvolve soluções de quem procura novas tecnologias, materiais, equipamentos e parceiros. Para o expositor, são três dias para apresentar seu trabalho, gerar contatos e ocupar espaço nas conversas que estão desenhando os próximos caminhos dessa indústria.
7. Perguntas frequentes sobre o mercado de embalagens metálicas
O mercado brasileiro de embalagens metálicas está crescendo?
O segmento de latas de alumínio para bebidas mostra uma expansão importante nas últimas décadas. O volume comercializado passou da casa de 20 bilhões de unidades em 2009 para 34,1 bilhões em 2025, crescimento superior a 70% em 16 anos. O Brasil também ocupa posição de destaque entre os maiores mercados e produtores globais.
Quais setores utilizam embalagens metálicas?
As aplicações incluem bebidas, alimentos processados e conservas, aerossóis, tintas, produtos químicos, cosméticos, itens de higiene e diferentes bens de consumo. As características de cada produto criam necessidades específicas de materiais, revestimentos, componentes, equipamentos e processos.
Quais oportunidades existem para fornecedores da indústria de embalagens metálicas?
Há oportunidades em uma série de pontos da cadeia, incluindo materiais e revestimentos, máquinas, automação, impressão e acabamento, válvulas, tampas e fechamentos, inspeção, controle de qualidade, rastreabilidade, logística, reciclagem e soluções voltadas à eficiência produtiva.
O que é a OneCan Metal Can Summit & Expo?
A OneCan é o primeiro evento da América Latina dedicado exclusivamente à indústria de embalagens metálicas. Sua primeira edição acontece de 6 a 8 de abril de 2027, no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunindo fabricantes, fornecedores, marcas e especialistas de diversas áreas dessa cadeia.




